Marché du Film do Festival de Cannes movimenta mercado com apresentação de grandes produções

Por Janaina Pereira

O Marché du Film (Mercado do Filme) do Festival de Cannes aconteceu este ano em versão online, de 22 a 26 de junho, devido a pandemia causada pelo novo coronavírus. O evento, voltado para compra e venda de produções, apresentação de projetos e negócios do mercado cinematográfico, acontece desde 1959, e nesta edição contou com 12.500 participantes, e cerca de quatro mil novos projetos e filmes de mais de 120 países.

Usando uma plataforma exclusiva para os credenciados, foi possível assistir filmes completos ou em trailer, e ainda ter acesso a apresentações que movimentaram o mercado, como o anúncio do diretor americano Michael Mann (de filmes como Colateral e Miami Vice), que apresentou o roteiro baseado na biografia do magnata de automóveis italiano Enzo Ferrari. O ator Hugh Jackman negocia para estrelar o longa.

Outro projeto apresentado no Marché du Film que causou alvoroço foi o novo filme do chileno Pablo Larraín (indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por No). Depois de Jackie, onde dirigiu Natalie Portman no papel da ex-primeira-dama americana, ele vai levar às telas Spencer, sobre a Princesa Diana, com Kristen Stewart como protagonista.

A apresentação de grandes títulos surpreendeu distribuidoras, produtores e agentes que participavam do evento. “Tivemos muitos projetos bons, de boa qualidade e com uma variedade para todos. O mercado se organizou, se instalou e mostrou eficiência”, disse Arianna Bocco, vice-presidente executiva de aquisições da IFC Films.

Estreia virtual

Alguns países onde os cinemas já voltaram a funcionar, como a Alemanha, compareceram de forma maciça ao Marché du Film.  “Para nós, assim como para todos os outros participantes, essa forma é uma estreia, e também um experimento”, comentou um dos representantes da German Films, que divulga o cinema do país no exterior.

Algumas distribuidoras se mostraram otimistas de que as filmagens poderão retomar a partir dos próximos meses, pelo menos na Europa. Ao mesmo tempo, temem que os segmentos de mercado dos festivais do segundo semestre sejam esvaziados, devido a grande concentração de produções no Marché du Film. “Cannes é, de longe, o único mercado do ano que sempre teve a maioria dos negócios. Todo mundo está trabalhando aqui para financiar, vender e depois começar a filmar no verão. Isso deve tornar festivais como o de Toronto bem fracos esse ano, pois lá vamos ver projetos que talvez só fiquem prontos em 2022”, ressaltou Martin Moszkowicz, presidente do conselho executivo da Constantin Film.

Para Antonio Sauda, da Latido Films da Espanha, uma das vantagens do Marché du Film ser realizado virtualmente é a possiblidade de continuar negociando os projetos ao longo do ano. “As vendas foram um pouco melhores do que o esperado. Mas uma coisa ficou evidente: o mercado online não terminou aqui. Este é o começo de um mercado de 365 dias”, concluiu.

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