Set Expo 2019: Novidades e experiências que prometem mudar a experiência e a produção audiovisual
O SET EXPO, maior evento de tecnologia e negócios de mídia e entretenimento da América Latina, terminou em 29 de agosto (27) no Expo Center Norte, em São Paulo. Os mais importantes especialistas do setor e as principais marcas discutiram os principais assuntos relacionados à indústria de produção e distribuição de conteúdo audiovisual. Confira alguns destaques do encontro:
Inteligência Artificial muda experiência na produção e transmissão de esportes
A forma de assistir esportes está passando por alterações e a experiência deve ficar cada vez melhor para quem acompanha as competições no conforto do sofá. A garantia é dos integrantes do painel “Esportes” do congresso SET EXPO. Com a ajuda de uma inteligência artificial e utilizando técnicas de análise de dados, as emissoras podem encontrar novos fatos interessantes sobre times, países, técnicos e jogadores. De forma totalmente automatizada, comentaristas e narradores têm à sua disposição informações sobre a média de idade das equipes, histórico de confrontos e performance em jogos anteriores.
Computação em nuvem dá agilidade para indústria audiovisual
A computação em nuvem tem transformado muitos processos da indústria audiovisual. Alguns avanços foram apresentados por especialistas do painel “Cloud Computing: Estratégia de Inovação e Transformação”, no congresso SET EXPO.
Benoit Quirynen, chief market officer da EVS (Bélgica) comenta que hoje em dia “toda companhia tem que fazer mais com menos, e quando pensamos em menos, são menos recursos, mas também menos problemas. Queremos soluções mais fáceis de operar para podermos trabalhar com mais criatividade, e conteúdo para satisfazer diferentes tipos de audiência”. Dessa forma, ele explica que quase todos os produtos da EVS estão disponíveis como máquinas virtuais, que permitem lean production, automação, elasticidade e facilidade para colaboração.
Personalização da TV paga é caminho para sustentabilidade
Tecnologias que alteram as regras do jogo também precisam se mostrar sustentáveis ao longo do tempo. Para discutir como manter a produção audiovisual “no azul”, o congresso SET EXPO convidou alguns nomes de peso no mercado para comentar como as companhias estão criando estratégias de rentabilização de conteúdo.
“A cauda longa criada pela indústria é uma maneira efetiva de continuar gerando receita – explicou Leonardo Godoy, especialista de Estratégia e Inteligência de Mercado da SES para as Américas – o conteúdo novo faz muito dinheiro no cinema, depois no primetime da TV paga, então, vai para reprises, venda em plataforma, TV por assinatura e VOD.
Satélites buscam competitividade para atender streaming e VOD
Como as companhias de satélite estão se adaptando para o crescimento do mercado VOD? Em um painel com alguns dos principais players desse segmento, algumas respostas foram apresentadas. Um dos maiores desafios é oferecer preços competitivos e conexões que possam trabalhar com produtos com alta quantidade de dados e recursos, como vídeos em HD ou até UHD.
Diretor de Vendas para Broadcast da Intelsat, Marcelo Amoedo comenta que “até 2020, 80% de todo tráfego de internet será vídeo, e 17% de vídeo ao vivo dentro desse percentual. Não é pouco: para se ter uma ideia, nos últimos 30 dias, mais conteúdo de vídeo online foi enviado pela web do que todo conteúdo de TV foi transmitido nos últimos 30 anos. Os players precisam acompanhar as quatro principais tendências de mercado: força de acesso à nuvem, distribuição e contribuição sem interrupção, conectividade flexível, e entender o valor do vídeo”.
Pré-produção e planejamento são fundamentais para garantir uma pós-produção de áudio tranquila e de qualidade
Grandes especialistas de áudio estiveram reunidos no painel “Produção de áudio: uma nova visão sobre o cuidado com o áudio em TV”. O objetivo foi o de explicar a importância do cuidado com a pré-produção e planejamento, visando uma boa captação de som e garantindo uma pós-produção tranquila e com qualidade. Na abertura, o moderador do painel, o sound designer Carlos Ronconi, citou uma frase de Steven Spilberg de que a experiência audiovisual tem ao menos 50% de áudio. “Eu diria que é até mais”, afirmou.
Em seguida, o produtor de áudio da TV Globo, Luiz Kruszielski, abordou o paralelo existente entre o áudio e a percepção visual. “A audição tem um caráter fundamental de transmissão de informação”, disse. Por meio de exemplos simples, mostrou na prática conceitos de percepção de distância de som, intensidade e volume.
Áudio imersivo deixa de ser assunto de laboratório e projeta mercado
Imagine a seguinte situação: você está sentado na sala de sua casa assistindo a um filme e, diferente do que está acostumado, o som que recebe não vem apenas de frente ou de trás, mas sim de uma espécie de esfera imaginária numa experiência tridimensional. É esse um dos grandes diferenciais do áudio imersivo, tecnologia inovadora e que já está revolucionando o mercado.
O tema foi debatido no painel “Áudio imersivo: do futuro para o presente”, com moderação de Hélio Kuwabara, especialista de suporte da TV Globo. Ele mencionou as experiências realizadas pela Globo com a transmissão ATSC 3.0, 4k e 8k em áudio imersivo Dolby Atmos durante a Copa da Rússia de 2018 no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. O sucesso do evento levou a emissora a ser convidada a apresentar o case na NAB deste ano.
Conteúdo original ganha cada vez mais relevância na produção audiovisual brasileira
Entender as mudanças que a tecnologia promove, criando novos paradigmas de consumo, e como isso impacta o processo de produção e divulgação de conteúdo audiovisual estiveram entre os principais pontos discutidos no painel “Conteúdo Original – O Fim das Janelas?”, que reuniu representantes do audiovisual para um amplo debate sobre desafios e tendências da produção brasileira.
Os palestrantes foram Adriana Favaro, diretora Comercial de Veículos da Kantar IBOPE Media; Beto Gauss, sócio e produtor da Prodigo Films; Marcio Yatsuda, presidente da Movioca Content House; Paulo Rabello, diretor de engenharia de entretenimento da TV Globo; e Roberto d’Avila, fundador da Moonshot Pictures. A mediação foi feita por Mauro Garcia, presidente da BRAVI (Brasil Audiovisual Independente), que também é integrante do Conselho Deliberativo da SET.
Os palestrantes discutiram como a evolução do consumo de conteúdo via plataformas OTT em diversos tipos de dispositivo vem deixando o conceito de janela de exibição em segundo plano. Neste cenário, a produção de uma narrativa de qualidade, tanto focada no público quanto nas plataformas em que será exibida, torna-se cada vez mais essencial.
Big Data enfrenta desafios culturais e conceituais em sua aplicação nos negócios do audiovisual
O uso de dados processados e armazenados, o Big Data, tem enfrentado desafios no mercado do audiovisual no país. Internalização de equipe e entendimento dos conceitos são vistos como uma saída para os entraves culturais e conceituais do setor.
O painel, moderado por Hugo Nascimento, CTO da Ad Digital, contou com a participação de Washington Cabral, Client Technology Advisor for Media Entertainment na IBM, Roberto de Oliveira Filho, coordenador de Tecnologia na RPC, e Daniel Lopes, Head of data da InfoPrice.
Com aprendizado por máquina, vídeos ganham recursos e reduzem desperdícios
Através da aprendizagem por máquina, também chamada de inteligência artificial, serviços de vídeos podem, ao mesmo tempo, agregar recursos e reduzir gastos. A palestra da AWS Elemental, que pertence à gigante norte-americana Amazon, girou em torno dessa premissa. E para prová-la, foi recheada de demonstrações. A palestra aconteceu na terça (27), durante o SET EXPO, o maior evento de tecnologia e negócios de mídia e entretenimento da América Latina. Dois executivos da empresa estavam presentes, Renato Reis e André Godoi.
Algumas das demonstrações merecem destaque. Primeiro, durante a exibição de um vídeo, o próprio sistema entendia que trechos poderiam ter o bit rate da imagem reduzida sem que a qualidade fosse comprometida. De fato, na comparação entre o original e o adaptado, foi difícil notar qualquer diferença. “E a redução do uso de banda pode ser até 30% menor”, enfatizou Reis.
Indústria do audiovisual já se antecipa aos efeitos da Lei de Geral de Proteção de Dados
O governo federal criou uma lei com objetivo de regulamentar o tratamento de dados pessoais dos clientes e usuários de empresas públicas e privadas. Chamada de LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), ela entrará em vigor a partir de agosto de 2020. Já prevendo os seus efeitos, a indústria do audiovisual vem se antecipando e encontrando soluções amigáveis para uma transição mais tranquila.
O tema foi alvo de debate no painel “Publicidade Avançada”, que teve moderação de Carlos Otavio Queiroz, head of Technology Architecture and Analytics da TV Globo. O primeiro palestrante foi um colega de Queiroz na Globo, Eduardo Perez, diretor de Data & Analytics do time de Inteligência Digital. Perez trouxe vários dados sobre o desempenho dos portais da companhia, entre eles o Globo.com e G1. “Sempre incentivamos uma linguagem que estabeleça um relacionamento direto com o telespectador”, afirmou o executivo. Ele citou como exemplo o grande engajamento de programas como o BBB, com mais de 1 bilhão de votos em suas várias etapas, além de algumas ferramentas desenvolvidas pelo laboratório de pesquisa e desenvolvimento.


